(2004-2007) Projeto “Visões de Mundo” 1: Uma História do Atomismo: como chegamos a conceber a realidade atomicamente.

O atomismo, no sentido mais amplo, significa a redução de um fenômeno complexo a fatores unitários simples. Esta definição inclui o atomismo epistemológico (a doutrina das unidades da percepção), o atomismo linguístico (o uso de um alfabeto), o atomismo lógico (a postulação de unidades proposicionais), o atomismo biológico (a pressuposição de células discretas), e uma variedade de tipos de atomismo social, econômico, psicológico e, o que constituiu o alvo desse projeto, físico. O projeto investigou a história do atomismo nos seguintes períodos: i) antigo, dos séculos V a.C. ao século I da era cristã, de Demócrito a Lucrécio, ii) moderno, dos séculos XVII ao XIX, de Thomas Harriot a Thomson e iii) contemporâneo, de 1900 a 1930, de Jean Perrin a Niels Bohr. O objetivo deste trabalho é mostrar, através da história do atomismo, como uma imagem sintático-semântica do conhecimento científico, baseada no reducionismo e na causalidade mecânica, foi construída na Antigüidade, consolidada na ciência moderna e finalmente desconstruída no início do século XX.  

(2008-2011) Projeto “Visões de Mundo” 2: Uma História do Modelo Padrão da Cosmologia e de sua Divulgação: as controvérsias na história da cosmologia moderna e a construção da epopeia da evolução.

O objetivo desse projeto foi investigar historicamente as principais controvérsias científicas dentro da cosmologia moderna (de natureza factuais, experimentais epistemológicas, ontológicas, metodológicas e meta-teóricas) na construção, circulação, divulgação, popularização e consolidação da epopeia evolutiva (cosmológica) moderna (conhecida na historiografia de ciência e religião como “epic of evolution” ou encontrada numa disciplina recente conhecida como “big history”)  -- o nosso mito de origem moderno, como popularizado no livro de 1977 de Steven Weinberg, “The First Three Minutes: A Modern View of the Origin of the Unvierse”. O modelo do Big Bang consolidou-se na segunda metade do século XX substituindo as tentativas modernas anteriores de desenvolver uma “epopeia científica” (da teoria nebular de Kant e Laplace no século XVIII à teoria da morte térmica do universo de Lord Kelvin no século XIX). Como o modelo do Big Bang se cristalizou em nossa imagem de mundo no século XX?  

(2010-2015) Projeto “Visões de Mundo” 3: Uma História Cultural do Re-encantamento do Mundo pela Teoria Quântica: desencantamento e re-encantamento do mundo dentro da mais fundamental das teorias físicas, a teoria quântica de campos.

O físico e escritor de livros de divulgação científica Jeremy Bernstein afirmou em sua obra “Quantum Leaps” de 2009 que seria necessário um trabalho dedicado de um historiador cultural para explicar como uma teoria completamente hermética e pouco conhecida e apreciada pelo grande público até o início da década de 1960 se tornaria tão popular nas décadas seguintes: “A última vez que eu consultei no GOOGLE a rubrica ‘física quântica’ havia mais de 9,3 milhões de entradas, incluindo poetas e historiadores, assim como críticos de cinema e monges budistas” (BERNSTEIN, 2009, p. 2). O objetivo desse projeto foi responder à questão de Bernstein através de uma história cultural da teoria quântica através do ponto de vista dos estudos weberianos do desencantamento e do re-encantamento do mundo. O projeto se focou nas décadas de 1970 e 80, em especial na região da Baía de São Francisco, Califórnia, EUA, através de fontes primárias e secundárias, pesquisa em arquivos e entrevistas. As diversas “visões de mundo quânticas” respondem às fraturas e sintomas do sistema de saber moderno.  

(2015-) Projeto “Visões de Mundo” 4: Um História Crítica das Epistemes Modernas e Contemporâneas: “epistemes rejeitadas”, visões de mundo e a questão do sentido, entre o transhumanismo e o superhumanismo.

A hipótese dessa pesquisa é que pode-se aprender mais sobre a história da epistemologia moderna ao se focar nas “epistemes rejeitadas”, aquelas formas de saberes que foram (ou que são) rejeitadas no sistema de saber moderno – inclui-se nesse estudo transdisciplinar o diálogo entre i) história das ciências e estudos de gênero, ii) história das ciências e estudos pós-coloniais e subalternos, iii) história das ciências e o oculto/ místico/ paranormal/ hermético, iv) história das ciências e das religiões e v) história das ciências e da tecnologia e a teoria sistema-mundo. O objetivo é buscar uma categoria mais geral que inclua (mas transcenda) essas categorias particulares. O método desse trabalho é o estudo de casos: instituições alternativas, periódicos alternativos e iniciativas de pesquisas e de fomento alternativas – como o Instituto Esalen, e seu Centro de Teoria e Pesquisa, que patrocinou o “Survival Seminar” (ou “Bir Sur Seminar”), entre 2008 e 2012, um coletivo de cientistas, intelectuais e humanistas que desafiam a visão dominante das neurociências e sugerem que a mente não pode ser reduzida ao cérebro.  

(2017-) Projeto “Visões de Mundo” 5: Um História Cultural da Computação/ Informação Quântica: como chegamos a conceber o universo como um computador quântico.

Da cultura popular, como o filme “” (1999), ao pancomputacionalismo de alguns físicos e cientistas da computação, como ilustrado pela “” de Edward Fredkin ou pela “” (2002) de Stephen Wolfram, encontramos uma visão de mundo que defende que a “informação”, como argumenta Vlatjo Vedral, “(e não a matéria ou a energia ou o amor) é o bloco básico de construção de tudo o que existe”. Ademais, nesse , a informação é processada como em um computador quântico, como argumenta Seth Lloyd: “O universo é feito de bits. A história do universo é, de fato, uma gigante computação quântica em andamento. O universo é, em última análise, um computador quântico”. O projeto de pesquisa aqui proposto pretende, através de pesquisa empírica específica (consulta a arquivos, entrevistas e fontes secundárias), delinear uma história cultural da informação/ computação quântica e como essa tem se tornado uma ideia-tema (Lovejoy) ou uma episteme (Foucault): “algo como uma visão de mundo, uma fatia da história comum a todos os campos do saber”.  

© 2020 por Gustavo Rodrigues Rocha.

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